{"id":3394,"date":"2017-03-10T14:52:00","date_gmt":"2017-03-10T13:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/?p=3394"},"modified":"2022-06-07T16:33:26","modified_gmt":"2022-06-07T14:33:26","slug":"mulheres-e-cidadania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/2017\/03\/10\/mulheres-e-cidadania\/","title":{"rendered":"Mulheres e cidadania"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vamos desenvolver neste livro, baseado nas emiss\u00f5es na Radio Alma que decorreram de Fevereiro de 2017 at\u00e9 Junho de 2018, a no\u00e7\u00e3o de cidadania e as suas implica\u00e7\u00f5es para as mulheres. Seria importante desde o in\u00edcio dar alguns elementos que permitam compreender o que cobre este conceito.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclui para as mulheres o facto de terem direitos civis, pol\u00edticos e sociais:<\/p>\n\n\n\n<p>-Os direitos civis podem incluir direitos tais como o direito \u00e0 contracep\u00e7\u00e3o, ao div\u00f3rcio e ao aborto. Como iremos ver, em certos pa\u00edses este \u00faltimo direito \u00e9 muito restrito ou mesmo negado.<\/p>\n\n\n\n<p>-Os direitos pol\u00edticos abrangem o acesso ao espa\u00e7o p\u00fablico e o reconhecimento deste acesso, o direito de pertencer a um partido pol\u00edtico, a um sindicato ou a uma organiza\u00e7\u00e3o que os defende.<\/p>\n\n\n\n<p>-Os direitos sociais incluem o direito \u00e0 protec\u00e7\u00e3o (seguran\u00e7a) social, \u00e0 pens\u00e3o, ao desemprego&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O direito \u00e0s quotas \u00e9 muito mais controverso, como mostra o debate neste livro. Facilita o acesso das mulheres \u00e0 pol\u00edtica. Isto significa que os partidos pol\u00edticos s\u00e3o obrigados a p\u00f4r mulheres nas suas listas. Os nomes t\u00eam que ser alternados porque se as mulheres ficarem em \u00faltima posi\u00e7\u00e3o nas listas, n\u00e3o tem qualquer chance de serem eleitas. A percentagem inicial \u00e9 de 33%, mas agora as organiza\u00e7oes de mulheres pedem 50%.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos sessenta houve um grande avan\u00e7o com a extens\u00e3o desses direitos. Foram reconhecidos os direitos reprodutivos na maior parte dos pa\u00edses europeus, depois do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade. A participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica foi alargada, muitos partidos ou governos fixaram quotas para facilitar o acesso das mulheres a cargos pol\u00edticos. A cidadania foi consolidada, apesar de ter ainda limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00e9cada mais recente \u00e9 mais complicada com ataques evidentes a direitos j\u00e1 adquiridos.<\/p>\n\n\n\n<p>Onde se registaram os ataques mais violentos?<\/p>\n\n\n\n<p>O mais evidente e mais f\u00e1cil de atacar porque h\u00e1 um p\u00fablico que responde \u00e0s cr\u00edticas \u00e9 a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez. Em v\u00e1rios pa\u00edses, inclusive em Portugal, foram apresentadas propostas de modifica\u00e7\u00e3o das leis existentes com o fim de limitar as condi\u00e7\u00f5es e o acesso ao aborto. Cabe ainda mencionar que j\u00e1 havia limites reais na aplica\u00e7\u00e3o das leis, resultantes da posi\u00e7\u00e3o de certas cl\u00ednicas e do pessoal m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra limita\u00e7\u00e3o \u00e9 o aumento da viol\u00eancia na sociedade que se manifesta pelo aumento da viol\u00eancia contra as mulheres. A viol\u00eancia estende-se a um novo dom\u00ednio que \u00e9 internet. As feministas s\u00e3o constantemente atacadas.<\/p>\n\n\n\n<p>As den\u00fancias dessas viol\u00eancias (campanha \u201cMe Too\u201d) mostram o \u00e2mbito quase generalizado do ass\u00e9dio sexual e libertaram a palavra para muitas mulheres que denunciaram os abusos de que foram v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos seguintes a decep\u00e7\u00e3o veio do progresso lento dos direitos sociais:<\/p>\n\n\n\n<p>-A concilia\u00e7\u00e3o das tarefas profissionais com as tarefas dom\u00e9sticas constitui ainda um problema grave para as mulheres e limita as suas possibilidades de evolu\u00e7\u00e3o nas suas carreiras<\/p>\n\n\n\n<p>-A igualdade salarial t\u00e3o desejada desde h\u00e1 d\u00e9cadas mostra um progresso lento e ronda a m\u00e9dia de 16,3% nos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia. Tem de se acrescentar que a diferen\u00e7a \u00e9 mais importante no sector privado e em certas profiss\u00f5es. A discrep\u00e2ncia nos rendimentos \u00e9 muito mais elevada atingindo 39,6%. Sem esquecer que na Uni\u00e3o Europeia as pens\u00f5es das mulheres s\u00e3o 39% mais baixas do que as pens\u00f5es dos homens. O desemprego e a pobreza s\u00e3o muito mais importantes para as mulheres do que para os homens . S\u00e3o elas que muitas vezes cuidam sozinhas dos seus filhos. A isso tem-se acrescido a crise econ\u00f3mica desde 2008 e as pol\u00edticas de austeridade aplicadas pela Uni\u00e3o Europeia, sobretudo aos v\u00e1rios pa\u00edses do Sul da Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve uma decep\u00e7\u00e3o nas expectativas de acesso \u00e0 esfera p\u00fablica, em particular aos cargos pol\u00edticos. Em m\u00e9dia, somente 15% dos postos de decis\u00e3o nas empresas s\u00e3o exercidos por mulheres (dados do PNUD).<\/p>\n\n\n\n<p>Houve uma estagna\u00e7\u00e3o ou mesmo um recuo em certos pa\u00edses quanto ao n\u00famero m\u00e9dio de deputadas eleitas para os parlamentos nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ataques \u00e0 no\u00e7\u00e3o de cidadania e de participa\u00e7\u00e3o foram lan\u00e7ados pelos partidos populistas, em progresso nos pa\u00edses do Leste da Europa, onde os partidos populistas exprimem ideias antifeministas. A igreja cat\u00f3lica tamb\u00e9m n\u00e3o hesitou em atacar a chamada \u201cteoria do g\u00e9nero\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quais s\u00e3o as principais for\u00e7as que amea\u00e7am os direitos das mulheres?<a href=\"#_edn1\" id=\"_ednref1\">[i]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Existe um conjunto de mecanismos pol\u00edticos e sociais que incorporam as discrimina\u00e7\u00f5es na sociedade. Tocam essencialmente a ra\u00e7a e a religi\u00e3o, mas igualmente um esquema de discrimina\u00e7\u00e3o contra as mulheres. A cria\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es generalistas, incluindo a defesa contra todas as discrimina\u00e7\u00f5es, resultou numa marginaliza\u00e7\u00e3o da abordagem da igualdade entre mulheres e homens.<\/p>\n\n\n\n<p>A concep\u00e7\u00e3o tradicional da fam\u00edlia e das rela\u00e7\u00f5es entre homems e mulheres no casal est\u00e1 ainda a predominar, com a ideia de que o homem \u00e9 o respons\u00e1vel pela subsist\u00eancia da fam\u00edlia. Isso impediu a modifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais e o acento foi posto na quest\u00e3o do emprego dos homens em prioridade, as mulheres sendo consideradas s\u00f3 como uma categoria de trabalhadores. \u00c9 a dilui\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o do g\u00e9nero.<\/p>\n\n\n\n<p>Os movimentos populistas t\u00eam a nostalgia do tempo em que o g\u00e9nero n\u00e3o era um problema e lan\u00e7am campanhas n\u00e3o s\u00f3 contra o aborto, mas tamb\u00e9m contra a homossexualidade, o casamento entre homossexuais\u2026As pol\u00edticas neoliberais, que reduzem as despesas p\u00fablicas, come\u00e7am por cortar em primeiro lugar as despesas sociais, inclusive as que facilitam o trabalho e a vida das mulheres (os abonos de fam\u00edlia, as creches,\u2026).<\/p>\n\n\n\n<p>Frente a estas amea\u00e7as, a mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 mais do que nunca necess\u00e1ria. Esperamos que este livro constitua um contributo \u00fatil para inverter a tend\u00eancia e permitir que as mulheres &nbsp;ocupem o seu justo lugar na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>A abordagem vai se fazer a v\u00e1rios n\u00edveis. Partindo da situa\u00e7\u00e3o em Portugal, vai-se passar ao n\u00edvel europeu. Depois examinar-se-\u00e3o os casos de alguns pa\u00edses onde as mulheres s\u00e3o mais discriminadas do que nos pa\u00edses europeus, antes de ver o que as mulheres empreendem a n\u00edvel internacional, em particular nas Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" id=\"_edn1\">[i]<\/a> \u00ab&nbsp;Les r\u00e9gimes de citoyennet\u00e9 en mutation et les in\u00e9galit\u00e9s pers\u00e9v\u00e9rantes&nbsp;\u00bb, Jane Jenson et \u00ab&nbsp;Heurts et malheurs des politiques locales touchant aux droits des femmes&nbsp;\u00bb, Jacqueline Heinen, Universit\u00e9 des femmes,&nbsp; Colloque \u00ab&nbsp;La citoyennet\u00e9 des femmes dans tous ses \u00e9tats&nbsp;\u00bb, Bruxelles 8 novembre 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o Vamos desenvolver neste livro, baseado nas emiss\u00f5es na Radio Alma que decorreram de Fevereiro de 2017 at\u00e9 Junho de 2018, a no\u00e7\u00e3o de cidadania e as suas implica\u00e7\u00f5es para as mulheres. Seria importante desde o in\u00edcio dar alguns elementos que permitam compreender o que cobre este conceito. Inclui para<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/2017\/03\/10\/mulheres-e-cidadania\/\">Lire la suite<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":110,"featured_media":3396,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["entry","author-mulheres","post-3394","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mci"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3394","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/users\/110"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3394"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3394\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3396"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3394"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3394"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3394"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}