{"id":3415,"date":"2022-06-08T11:45:18","date_gmt":"2022-06-08T09:45:18","guid":{"rendered":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/?p=3415"},"modified":"2022-06-11T11:52:31","modified_gmt":"2022-06-11T09:52:31","slug":"capitulo-3-as-discriminacoes-contra-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/2022\/06\/08\/capitulo-3-as-discriminacoes-contra-as-mulheres\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 3:   As discrimina\u00e7\u00f5es contra as mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p>Cap\u00edtulo 3: <br><br>As discrimina\u00e7\u00f5es contra as mulheres<br><a href=\"https:\/\/go.ivoox.com\/rf\/18827308\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" title=\"\">https:\/\/go.ivoox.com\/rf\/18827308<\/a><br><\/p>\n\n\n\n<p>Depois de termos falado aqui neste programa de r\u00e1dio acerca das Organiza\u00e7\u00f5es de Mulheres, um dos modos de participa\u00e7\u00e3o das mulheres na sociedade, passamos ao tema da DISCRIMINA\u00c7\u00c3O, abordando as diferentes formas de discrimina\u00e7\u00e3o contra as mulheres e de como superar as discrimina\u00e7\u00f5es e a desigualdade, seja em casa, no trabalho, ou na rua. <br>Discrimina\u00e7\u00e3o no mercado laboral<br>Existem muitas formas de discrimina\u00e7\u00e3o das mulheres. A nossa sociedade come\u00e7a a ter pol\u00edticas de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, mas mesmo assim os estudos indicam que a este ritmo seriam necess\u00e1rios 70 anos para eliminar a desigualdade entre homens e mulheres. Ora as mulheres s\u00e3o mais de metade da popula\u00e7\u00e3o.<br>O mercado laboral \u00e9 um dom\u00ednio tradicionalmente discriminante para as mulheres. Quando um homem e uma mulher se encontram em situa\u00e7\u00e3o de competi\u00e7\u00e3o por um posto de trabalho, por exemplo, a tend\u00eancia do empregador \u00e9 de preferir o homem. Acredita-se que o homem est\u00e1 mais dispon\u00edvel do que a mulher para trabalhar, e que n\u00e3o se ausentar\u00e1 tanto como a mulher (gravidez, doen\u00e7as dos filhos\u2026). O homem \u00e9 considerado como sendo mais competente do que a mulher. Logo aqui temos uma discrimina\u00e7\u00e3o negativa em rela\u00e7\u00e3o ao sexo feminino. As estat\u00edsticas indicam que as mulheres t\u00eam menos 27% de oportunidades laborais do que os homens, e que a taxa de desemprego feminina \u00e9 maior do que a taxa de desemprego masculina. O mesmo se passa em termos salariais. Apesar das medidas j\u00e1 tomadas, a discrimina\u00e7\u00e3o salarial entre homens e mulheres \u00e9 infelizmente muito importante. As estat\u00edsticas actuais, com base em determinados par\u00e2metros, apontam para uma desigualdade de 17% a favor dos homens, tanto no sector p\u00fablico como no privado. Mas ainda assim, a desigualdade salarial entre homens e mulheres \u00e9 mais aguda no sector privado, podendo ultrapassar os 20%. E se observarmos o sector agr\u00edcola temos uma diferen\u00e7a salarial entre homens e mulheres que ascende aos 50%. <br>Uma das raz\u00f5es geralmente mencionadas para a manuten\u00e7\u00e3o do status quo quanto \u00e0 desigualdade salarial entre homens e mulheres \u00e9 o risco de perda de competitividade para as empresas, caso se harmonizassem os sal\u00e1rios dos homens e das mulheres. Colmatar o fosso salarial entre homens e mulheres tem sido um processo muito lento e a \u00faltima crise financeiro-econ\u00f3mica de 2008 n\u00e3o contribuiu para a evolu\u00e7\u00e3o positiva da situa\u00e7\u00e3o. Na verdade, quando h\u00e1 que reduzir sal\u00e1rios, as mulheres s\u00e3o as que mais sofrem.<br>Alguns sectores produtivos continuam a ser predominantemente ocupados por homens enquanto outros o s\u00e3o por mulheres. H\u00e1 sectores que tradicionalmente empregam m\u00e3o-de-obra feminina, como a ind\u00fastria das conservas e a ind\u00fastria t\u00eaxtil, mas apenas 25% dos engenheiros s\u00e3o mulheres.<br>E apesar destes sectores de m\u00e3o-de-obra feminina n\u00e3o serem socialmente menos valorizados, os sal\u00e1rios a\u00ed praticados s\u00e3o, todavia, mais baixos. \u00c9 tamb\u00e9m o caso das profiss\u00f5es como empregada dom\u00e9stica, secret\u00e1ria, auxiliar hospitalar e de educa\u00e7\u00e3o. Sendo embora empregos fundamentais para o bom funcionamento da sociedade, n\u00e3o s\u00e3o bem remunerados.<br>Um outro aspecto \u00e9 que as hierarquias apreciam, em geral, muito mais as compet\u00eancias dos homens do que as das mulheres. <br>Em geral, as mulheres s\u00e3o mais colaborativas, tamb\u00e9m mais submissas, reclamando menos, com medo de perder o emprego, que n\u00e3o \u00e9 muito qualificado e onde podem ser facilmente substitu\u00eddas. Por essa raz\u00e3o as mulheres t\u00eam tend\u00eancia a reclamar pouco no seu ambiente laboral. <br>Os homens ocupam em geral postos de engenheiro, m\u00e9dico, advogado, condutor de m\u00e1quinas, capataz, etc. E, sendo mais especializados, ganham mais do que as mulheres. As mulheres tamb\u00e9m podem exercer esse tipo de ocupa\u00e7\u00f5es, conotadas como fun\u00e7\u00f5es masculinas, mas continua a ser pouco comum, devido \u00e0 educa\u00e7\u00e3o recebida e \u00e0 press\u00e3o da sociedade.<br>Neste aspecto particular, a actriz norte-americana Geena Davis, imortalizada pelo filme \u201cTelma e Louise\u201d, criou um instituto &#8211; Geena Davis Institute on Gender on Media &#8211; https:\/\/seejane.org, que alerta contra estere\u00f3tipos e discrimina\u00e7\u00f5es sexistas que filmes e s\u00e9ries da ind\u00fastria audiovisual veiculam subliminarmente a toda a sociedade, \u201cmoldando\u201d a percep\u00e7\u00e3o das pessoas, desde crian\u00e7as, acerca do valor e fun\u00e7\u00e3o das mulheres na sociedade. Porque fazemos aquilo que vemos e acreditamos naquilo que se mostra na televis\u00e3o. O Instituto Geena Davis, ao qual podemos aderir como membros, e que recebe donativos, tenta influenciar os criadores de conte\u00fados nos media e ind\u00fastria do entretenimento para atingir uma representa\u00e7\u00e3o equilibrada entre os sexos, bem como o respeito pela figura da mulher, atrav\u00e9s da representa\u00e7\u00e3o de personagens femininas fortes e inspiradoras. O Instituto Geena Davis foi a primeira organiza\u00e7\u00e3o a fazer um trabalho de pesquisa e \u201cadvocacy\u201d?\/?defesa ?\/?promo\u00e7\u00e3o nesta mat\u00e9ria de quest\u00f5es de g\u00e9nero nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, chamando a aten\u00e7\u00e3o para as flagrantes m\u00e1s representa\u00e7\u00f5es e abrindo caminho a outras iniciativas nesta \u00e1rea em todo o mundo. <br>Quanto ao trabalho dom\u00e9stico: persiste a ideia de que o trabalho dom\u00e9stico tem pouco valor. \u00c9 quase invis\u00edvel. N\u00e3o o deveria ser, porque \u00e9 um trabalho muito importante, dir\u00edamos mesmo essencial. Hoje em dia j\u00e1 h\u00e1 uma reflex\u00e3o quanto \u00e0 revaloriza\u00e7\u00e3o deste trabalho, como compensar quem nele se investe, e como o tornar inclusivo e partilhado pelo pai e pela m\u00e3e, ou por parceiros que formam o agregado familiar. O trabalho dom\u00e9stico \u00e9 todo um saber e um trabalho de gest\u00e3o e de cuidados extremamente \u00fatil \u00e0 sociedade: gerir o lar e o seu bom funcionamento, providenciar as compras, garantir os pagamentos, cuidar das crian\u00e7as e dos mais idosos, de quem est\u00e1 doente, ir levar e buscar as crian\u00e7as \u00e0 escola, acompanhar a sua educa\u00e7\u00e3o. Todas estas tarefas recaem, geralmente, nos ombros das mulheres. Qual o valor pecuni\u00e1rio deste trabalho de \u201cmesa, cama e roupa lavada\u201d? Um estudo italiano calculou em cerca de 3 mil euros mensais o valor de todos estes servi\u00e7os \u201csociais\u201d que as mulheres desempenham diariamente de forma gratuita, caso estas fun\u00e7\u00f5es tivessem de ser pagas a algu\u00e9m de fora que as executasse.<br>Neste cap\u00edtulo das discrimina\u00e7\u00f5es, pensamos tamb\u00e9m nas mulheres sozinhas, em situa\u00e7\u00e3o de precariedade, como \u00e9 o caso das vi\u00favas. Que formas existem hoje em dia, na nossa sociedade para reduzir a precariedade destas mulheres? Durante a Idade M\u00e9dia e at\u00e9 ao S\u00e9culo das Luzes, havia o sistema do beguinato, que eram comunidades n\u00e3o religiosas de mulheres que vivendo juntas e protegendo-se umas \u00e0s outras, eram respeitadas pela sociedade. Em algumas sociedades africanas, persiste o h\u00e1bito de as vi\u00favas poderem casar com outras mulheres, frequentemente mais novas, formando agregados familiares de duas ou mais mulheres que cuidam umas das outras, e das crian\u00e7as, assegurando a descend\u00eancia e a transmiss\u00e3o sucess\u00f3ria da propriedade. <br><br>Na \u00faltima d\u00e9cada, a evolu\u00e7\u00e3o na luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o foi positiva, por\u00e9m nem sempre linear. Nos \u00faltimos anos, a Europa conheceu um programa governativo de austeridade que reduziu as despesas p\u00fablicas. As mulheres foram as mais atingidas por esta diminui\u00e7\u00e3o dos gastos sociais que afectou sectores como a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o. Na B\u00e9lgica, por exemplo, notaram-se imenso os cortes or\u00e7amentais nos cuidados para a inf\u00e2ncia, que afectaram os infant\u00e1rios p\u00fablicos e semi-p\u00fablicos, reduzindo pessoal, tornando os servi\u00e7os mais caros, reduzindo consequentemente o acesso das fam\u00edlias (muitas delas monoparentais) a esta funcionalidade, devendo muitas m\u00e3es ter de ficar com as crian\u00e7as em casa. Nestes \u00faltimos anos, realmente, as op\u00e7\u00f5es de austeridade da maioria dos estados tiveram consequ\u00eancias negativas no caminho evolutivo contra a discrimina\u00e7\u00e3o, sentindo-se um retrocesso em muitos aspectos da vida profissional e pessoal das mulheres e das fam\u00edlias. <br><br>Abordando agora o tema das quotas de discrimina\u00e7\u00e3o positiva para as mulheres: as quotas permitem exercer press\u00e3o para abertura de mais possibilidades para a participa\u00e7\u00e3o das mulheres, tanto na vida empresarial como na vida pol\u00edtica. Por estes dias em que transmitimos o nosso programa de r\u00e1dio, discute-se a transposi\u00e7\u00e3o para a lei portuguesa da legisla\u00e7\u00e3o europeia que visa atingir o objectivo de uma representa\u00e7\u00e3o equilibrada de homens e mulheres nos conselhos de administra\u00e7\u00e3o das empresas p\u00fablicas e das empresas cotadas na Bolsa (ver website da Comiss\u00e3o Europeia- Direc\u00e7\u00e3o Geral do Emprego), chegando ao n\u00edvel de 40% dos lugares para as mulheres. Isto requer que mude a velha mentalidade de que nas empresas as mulheres n\u00e3o passam do posto de secret\u00e1ria. E por falar em secret\u00e1rias: s\u00e3o profissionais que disp\u00f5em de uma forma\u00e7\u00e3o completa, exercem um trabalho importante, mas trabalham na sombra do director ou do patr\u00e3o e s\u00e3o mal remuneradas. Acontece frequentemente nas organiza\u00e7\u00f5es, quer se trate de empresas ou n\u00e3o, que as mulheres s\u00e3o mais competentes e mais trabalhadoras do que os homens, mas que s\u00e3o estes que granjeiam os louros do trabalho que elas fazem, e tamb\u00e9m s\u00e3o eles que aparecem na fotografia final. <br>As mulheres e a Ci\u00eancia: o dia 11 de Fevereiro \u00e9 o Dia Mundial da Mulher nas Ci\u00eancias. Com o estabelecimento no calend\u00e1rio desta efem\u00e9ride, pretende-se a n\u00edvel internacional que as raparigas se interessem por carreiras profissionais em dom\u00ednios cient\u00edficos. Mais uma vez lembramos a interessante ac\u00e7\u00e3o do Instituto Geena Davis, que incentiva os guionistas de filmes e s\u00e9ries televisivas a criarem mais personagens femininas investigadoras e cientistas. At\u00e9 hoje as capacidades das mulheres cientistas s\u00e3o dificilmente reconhecidas. Elas trabalham em geral \u00e0 sombra dum homem e quando se vai reconhecer o m\u00e9rito \u00e9 o do homem que \u00e9 reconhecido. Deu-se um nome a este fen\u00f3meno: o efeito Matilda. \u00c9 somente hoje que as pesquisas mostram quantas mulheres fizeram descobertas que foram apropriadas por um homem que at\u00e9 pode ser o marido. \u00c9 ele que recebe o pr\u00e9mio ou o reconhecimento oficial, a mulher n\u00e3o se manifestando. Apesar da situa\u00e7\u00e3o ter melhorado, ainda acontecem muitos casos desses. (https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=BDFPSpwP83s). <br><br><br>Discrimina\u00e7\u00e3o no quotidiano: dif\u00edcil conciliar vida profissional e vida familiar<br>Fala-se muito no objectivo europeu e nacional de concilia\u00e7\u00e3o da vida profissional e familiar. As Leis consagram esse objectivo. No entanto, no dia-a-dia, a estrutura da sociedade n\u00e3o facilita a prossecu\u00e7\u00e3o desse objectivo, muito pelo contr\u00e1rio.<br>&#8211; Transportes p\u00fablicos: as mulheres, especialmente aquelas que t\u00eam v\u00e1rios filhos, confrontam-se com dificuldades quando pretendem utilizar os transportes p\u00fablicos para levarem as crian\u00e7as \u00e0 escola, ou ao m\u00e9dico, ou \u00e0 biblioteca local, ou transportar as compras, sendo obrigadas, frequentemente, a optar por possuir carro pr\u00f3prio. Os lugares nos autocarros, el\u00e9ctricos e comboios s\u00e3o concebidos para pessoas adultas, n\u00e3o para crian\u00e7as. Ainda n\u00e3o se pensou em desenhar lugares com cintos de seguran\u00e7a e dimens\u00e3o adequada \u00e0s crian\u00e7as. Outro problema s\u00e3o os hor\u00e1rios dos transportes p\u00fablicos e a sua pouca frequ\u00eancia. Muitas vezes os hor\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o adaptados \u00e0s necessidades das mulheres m\u00e3es de fam\u00edlia. <br>&#8211; Creches e infant\u00e1rios: reportando-nos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o na B\u00e9lgica, que \u00e9 ali\u00e1s semelhante \u00e0 de outros pa\u00edses, o n\u00famero de unidades de acolhimento diurno para as crian\u00e7as \u00e9 manifestamente insuficiente e a pre\u00e7o muito elevado. As mulheres e as fam\u00edlias t\u00eam dificuldades em encontrar lugar para colocar os filhos em idade pr\u00e9-escolar. Por outro lado, os hor\u00e1rios de funcionamento n\u00e3o t\u00eam em conta a flexibilidade actualmente existente no mercado laboral e s\u00f3 est\u00e3o adaptados a clientes que ainda trabalham durante o tradicional hor\u00e1rio das 8h \u00e0s 18h, ou seja, cada vez menos pessoas. Tal facto acarreta para grande parte da popula\u00e7\u00e3o, mormente mulheres, dificuldades adicionais de concilia\u00e7\u00e3o entre a vida familiar e a vida profissional. Com tais dificuldades muitas mulheres t\u00eam de deixar o seu emprego para tomar conta dos filhos at\u00e9 esses terem idade para ir para a escola. As mulheres ficam assim cortadas da vida p\u00fablica e profissional durante alguns anos. Foi exactamente o caso da minha filha que \u00e9 fot\u00f3grafa, e se viu obrigada a fechar o seu neg\u00f3cio quando teve o segundo filho e n\u00e3o encontrou lugar para ele nas creches p\u00fablicas (as creches privadas na B\u00e9lgica custam 800 euros mensais, o equivalente a um sal\u00e1rio). \u00c9 dif\u00edcil, at\u00e9 mesmo imposs\u00edvel sem ajuda tomar conta de 2 crian\u00e7as, sozinha, e gerir uma carreira profissional. A situa\u00e7\u00e3o continuou quando ela teve o terceiro filho. De notar que na creche onde a filha mais velha tinha estado, apenas dois anos antes, com capacidade para 60 crian\u00e7as, verificou-se uma redu\u00e7\u00e3o de pessoal, consequ\u00eancia da pol\u00edtica de austeridade, e consequente redu\u00e7\u00e3o de 40 lugares na capacidade de atendimento. Trata-se de uma contradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, porque se anuncia, por um lado, o objectivo de at\u00e9 2020 haver lugares para todas as crian\u00e7as nos servi\u00e7os de acolhimento da primeira inf\u00e2ncia. Mas desta forma, tal n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel. Entre o discurso pol\u00edtico e a vida quotidiana das fam\u00edlias n\u00e3o h\u00e1 coer\u00eancia. Este exemplo demonstra, mais uma vez, a falta de apoios para as mulheres, sobretudo as que s\u00e3o cabe\u00e7a de casal, que mais sobrecarregadas e prejudicadas ficam, vivendo situa\u00e7\u00f5es de precariedade social e vulnerabilidade, tanto material como psicol\u00f3gica.<br>-Conciliar vida familiar e profissional \u00e9 bastante dif\u00edcil, por todos os motivos. A reparti\u00e7\u00e3o das tarefas familiares continua a ser desigual entre o casal. As mulheres acabam por acumular dois trabalhos, um fora de casa e outro dentro. Nos casais mais jovens, o homem ajuda mais mas ainda assim \u00e9 a mulher que dedica mais horas \u00e0 vida familiar. Se houvesse servi\u00e7os p\u00fablicos ou mesmo associativos, por norma a um pre\u00e7o mais acess\u00edvel, aos quais recorrer para as tarefas como passar a roupa a ferro, creches e explica\u00e7\u00f5es escolares, isso ajudaria bastante o casal a poder conciliar a vida profissional com a vida familiar.<br><br>Discrimina\u00e7\u00e3o na vida pol\u00edtica<br>O Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia, no Luxemburgo, validou a exist\u00eancia do sistema de quotas para que as mulheres possam ter acesso a lugares pol\u00edticos. O Tribunal considerou o sistema de quotas como sendo um est\u00edmulo positivo, e n\u00e3o como criando uma outra forma de discrimina\u00e7\u00e3o. A decis\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia teve como objectivo contribuir para acelerar a caminhada para uma sociedade mais justa, com igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, e para n\u00e3o estarmos \u00e0 espera dos tais 70 anos para chegarmos a esse objectivo. <br>Em certos pa\u00edses as quotas s\u00e3o generalizadas. Nos outros a ideia \u00e9 mais dificilmente aceite e os avan\u00e7os s\u00e3o mais lentos. As quotas permitem que as mulheres acedam a lugares interessantes nas listas eleitorais, quase exclusiva ou maioritariamente constitu\u00eddas por homens. Nos parlamentos europeus**??as mulheres ocupam apenas entre 20%-30% dos lugares. Nos Pa\u00edses N\u00f3rdicos 40% dos parlamentares s\u00e3o mulheres. Acontece vermos que rapidamente as mulheres s\u00e3o nomeadas e exoneradas de cargos governamentais. Por que \u00e9 que isso acontece? Para dizer oficialmente que determinado governo cumpre com a regra da paridade, mas depois rapidamente a contorna? Tamb\u00e9m acontece vermos que as mulheres detentoras de cargos p\u00fablicos s\u00e3o mais facilmente contestadas do que os seus hom\u00f3logos homens. E que quando contestadas, mais facilmente se afastam do poder. Notamos a presen\u00e7a mais expressiva de mulheres em cargos pol\u00edticos a n\u00edvel local. Elas preferem realiza\u00e7\u00f5es concretas e estar mais perto do terreno.<br>As mulheres equivalem a mais de metade do mundo inteiro, mas apenas um quarto ou pouco mais s\u00e3o governantes pol\u00edticas. <br>Em Janeiro de 2016, em 200 pa\u00edses, s\u00f3 10 mulheres eram chefes do estado. \u00c9 interessante notar que no Ruanda, 63% dos deputados nacionais s\u00e3o mulheres.<br>A lideran\u00e7a pol\u00edtica das mulheres melhora os processos de decis\u00e3o porque, com algumas excep\u00e7\u00f5es, possuem grande capacidade de di\u00e1logo, procuram consensos e compromissos. A sociedade precisa que cada vez mais mulheres participem na vida pol\u00edtica para contribu\u00edrem para o progresso societal. Perguntamo-nos que tipo de sociedade estamos n\u00f3s a construir? Uma sociedade que n\u00e3o ajuda a fam\u00edlia, onde as mulheres n\u00e3o s\u00e3o apoiadas para poderem assumir os seus destinos? O bem-estar da sociedade, passa pelo bem-estar da mulher. <br>Sem custos demasiados elevados, h\u00e1 possibilidade de melhorar a situa\u00e7\u00e3o para as mulheres e suas fam\u00edlias, apostando em servi\u00e7os sociais de apoio, criando emprego e receita fiscal. O contr\u00e1rio acarreta, isso sim, custos demasiado elevados para a sociedade.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/files\/2022\/06\/telecharger-1.jpgviolence.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3428\" width=\"506\" height=\"336\" \/><figcaption>Acabar com as discrimina\u00e7oes contra as mulheres<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de termos falado aqui neste programa de r\u00e1dio acerca das Organiza\u00e7\u00f5es de Mulheres, um dos modos de participa\u00e7\u00e3o das mulheres na sociedade, passamos ao tema da DISCRIMINA\u00c7\u00c3O, abordando as diferentes formas de discrimina\u00e7\u00e3o contra as mulheres e de como superar as discrimina\u00e7\u00f5es e a desigualdade, seja em casa, no trabalho, ou na rua. <span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/2022\/06\/08\/capitulo-3-as-discriminacoes-contra-as-mulheres\/\">Lire la suite<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":110,"featured_media":3426,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["entry","author-mulheres","has-excerpt","post-3415","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mci"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3415","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/users\/110"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3415"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3415\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3426"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}