{"id":3476,"date":"2022-06-09T19:00:23","date_gmt":"2022-06-09T17:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/?p=3476"},"modified":"2022-06-10T17:06:21","modified_gmt":"2022-06-10T15:06:21","slug":"capitulo-11-mulheres-lusofonas-na-organizacao-na-comissao-do-estatuto-das-mulheres-das-nacoes-unidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/2022\/06\/09\/capitulo-11-mulheres-lusofonas-na-organizacao-na-comissao-do-estatuto-das-mulheres-das-nacoes-unidas\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 11: Mulheres lus\u00f3fonas na Organiza\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o do Estatuto das Mulheres das Na\u00e7\u00f5es Unidas"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"https:\/\/go.ivoox.com\/rf\/26658509\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/go.ivoox.com\/rf\/26658509<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/go.ivoox.com\/rf\/26658987\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/go.ivoox.com\/rf\/26658987<\/a><br><\/p>\n\n\n\n<p>A Comiss\u00e3o do Estatuto das Mulheres das NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS (Na\u00e7\u00f5es Unidas) re\u00fane-se de dois em dois anos. Este ano (2018) foram duas semanas no m\u00eas de Mar\u00e7o. As quatro raparigas que s\u00e3o entrevistadas participam nesta reuni\u00e3o em Nova Iorque e fazem parte dum grupo organizado pelo GRAAL . Foi decidido para a entrevista escolher raparigas novas.<br>Nesta sess\u00e3o da Comiss\u00e3o est\u00e3o a ser debatidas as quest\u00f5es das meninas, raparigas e mulheres, em especial, nas zonas rurais, o seu acesso \u00e0s novas tecnologias e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o . <br><br>O tema abordado na entrevista tem a ver com preocupa\u00e7\u00f5es de jovens mulheres lus\u00f3fonas. Uma palavra para come\u00e7ar sobre a situa\u00e7\u00e3o no meio rural.<br><br><br>Problem\u00e1ticas do meio rural <br><br>-Cerca de 20% de mulheres dirigem as explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas na Uni\u00e3o Europeia. Progressivamente os homens desinteressam-se da agricultura e procuram outro trabalho. Quando o encontram deixam a explora\u00e7\u00e3o a uma mulher, pode- se tratar da esposa, da irm\u00e3 ou da filha .<br><br>-O rendimento exterior ajuda as explora\u00e7\u00f5es a sobreviverem porque constitui um complemento importante ao rendimento da explora\u00e7\u00e3o. O rendimento agr\u00edcola \u00e9 em geral insuficiente quando se trata de explora\u00e7\u00f5es familiares;<br> <br>-A baixa geral dos pre\u00e7os dos produtos agr\u00edcolas \u00e9 imposta pela ind\u00fastria e pelas cadeias dos supermercados que querem obter os pre\u00e7os mais baixos do mercado, pondo em concorr\u00eancia os v\u00e1rios pa\u00edses europeus entre eles e tamb\u00e9m os pa\u00edses europeus com pa\u00edses fora da Europa;<br><br>-Uma outra quest\u00e3o importante \u00e9 o estatuto das mulheres agricultoras. O respons\u00e1vel da explora\u00e7\u00e3o, quer seja homem ou mulher, \u00e9 reconhecido, tem um estatuto pr\u00f3prio de chefe da explora\u00e7\u00e3o. A mulher ou a filha que trabalha com ele n\u00e3o tem um estatuto claramente reconhecido, at\u00e9 a data da aprova\u00e7\u00e3o pela UE (Uni\u00e3o Europeia) do estatuto de ajudante ou c\u00f4njuge ajudante \u201cconjoint aidant\u201d. Mas ainda t\u00eam outros problemas, porque algumas mulheres n\u00e3o se inscrevem na Seguran\u00e7a Social, nem est\u00e3o declaradas. <br><br>&#8211; Cerca de 35% da m\u00e3o-de-obra assalariada nas explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas na Uni\u00e3o Europeia s\u00e3o mulheres. S\u00e3o elas que asseguram grande parte da alimenta\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do seu trabalho.<br><br>&#8211; As mulheres est\u00e3o bastante isoladas, sobretudo quando os filhos crescem e ficam a trabalhar muitas vezes fora das zonas onde os pais vivem. O casal envelhece sem ter os filhos perto deles.<br><br>-Infra-estruturas: A sua falta \u00e9 um problema id\u00eantico em todas as zonas rurais. Nos pa\u00edses mais desenvolvidos v\u00ea-se o desaparecimento dos servi\u00e7os e com\u00e9rcios: lojas, caf\u00e9s, bancos, com\u00e9rcios<br>Nos pa\u00edses em vias de desenvolvimento nem sequer h\u00e1.<br>Tamb\u00e9m as escolas desaparecem. Quando n\u00e3o t\u00eam um n\u00famero suficiente de alunos, s\u00e3o fechadas, mesmo para turmas de crian\u00e7as pequenas.<br>No entanto, h\u00e1 alguns aspectos positivos: o desenvolvimento de novas actividades como o turismo que est\u00e1 a ter uma grande import\u00e2ncia em certos meios rurais. A essa actividade se junta o artesanato, o fabrico de novos produtos regionais com caracter\u00edsticas espec\u00edficas, algumas delas com certifica\u00e7\u00e3o de origem, e outras actividades.<br>Pode-se dizer que h\u00e1 um renascimento de certas zonas rurais, mas o seu n\u00famero \u00e9 limitado. Grande parte delas est\u00e3o em decl\u00ednio e despovoamento.<br><br><br>Apresenta\u00e7\u00e3o das jovens raparigas do movimento nacional do GRAAL:<br>A Sofia vem de Portugal, \u00e9 natural do Porto, vive e estuda jornalismo em Coimbra. Faz parte do grupo do GRAAL nessa cidade.<br><br>A C\u00e9lia, com 17 anos, \u00e9 da Madeira e faz parte do grupo Girl Effect (Efeito Rapariga) ligado ao GRAAL.<br><br>A Khensani, com 19 anos, \u00e9 Mo\u00e7ambicana, vive em Maputo onde estuda Ci\u00eancias da Inform\u00e1tica. Faz parte da equipa de prepara\u00e7\u00e3o dos eventos deste ano junto da Comiss\u00e3o para o Estatuto das Mulheres das NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS, onde se est\u00e3o a discutir muitos temas, desde a viol\u00eancia contra meninas e mulheres, ao acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 conscientiza\u00e7\u00e3o relativamente a pr\u00e1ticas tradicionais, que atentam contra a vida das meninas, como a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina, o casamento de menores e outras discrimina\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 posse de terra, ao acesso ao trabalho, \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e a inform\u00e1tica. <br><br>\u00c1bida Jamal, 45 anos, organiza muitos programas com jovens raparigas em Mo\u00e7ambique. O trabalho da \u00c1bida em Nova Iorque, onde representa esta organiza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 vem de longe. H\u00e1 mais de dez anos que ela participa, acompanha e organiza a prepara\u00e7\u00e3o de meninas de todo o mundo para virem trazer a sua voz e as suas hist\u00f3rias a estas reuni\u00f5es anuais das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as mulheres e para a igualdade de g\u00e9nero.<br><br>\u00c9 importante saber das suas realidades, dos testemunhos delas e de outras raparigas com quem est\u00e3o, e dos contactos que t\u00eam com raparigas doutros pa\u00edses, que elas conheceram nas reuni\u00f5es nas NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS.<br>Quais s\u00e3o os seus sonhos e as suas esperan\u00e7as para o futuro?<br><br><br>Patr\u00edcia: C\u00e9lia, podes dar-nos uma ideia de quem tu \u00e9s e as tuas raz\u00f5es para participares nesta reuni\u00e3o nas Na\u00e7\u00f5es Unidas?<br> <br>Passei por muitos acontecimentos. Continuo a trabalhar para os nossos objectivos porque vale a pena, porque estou a pensar que a situa\u00e7\u00e3o vai melhorar. Acredito que n\u00f3s jovens raparigas somos o futuro e temos de nos questionar sobre os problemas, e temos de encontrar solu\u00e7\u00f5es.<br>\u00c9 importante aprender com as outras raparigas e depois aplicar as resolu\u00e7\u00f5es tomadas em conjunto quando voltarmos para casa.<br><br><br>Patr\u00edcia: Khensani, conta-nos a tua experi\u00eancia \u2013 n\u00e3o s\u00f3 nesta reuni\u00e3o, mas tamb\u00e9m no est\u00e1gio de prepara\u00e7\u00e3o deste grupo de raparigas que participam na sess\u00e3o em Nova Iorque &#8211; como te envolveste nesta aventura? E depois diz-nos aquilo que v\u00eas como mais importante para o futuro e a melhoria das condi\u00e7\u00f5es das raparigas de todo o mundo.<br><br>C\u00e9lia e Sofia, como \u00e9 que sentem que podem representar meninas e raparigas rurais? Em Portugal, quais s\u00e3o os problemas mais urgentes a resolver para o acesso \u00e0s mesmas oportunidades que os rapazes? Voc\u00eas acham que h\u00e1 grandes diferen\u00e7as entre os problemas que enfrentam as meninas rurais e as meninas das cidades?<br><br><br>Khensani:<br>H\u00e1 3 meses que estou c\u00e1 em Nova Iorque para aprender. Tem sido uma experi\u00eancia muito intensa tanto no envolvimento no GRAAL, como a n\u00edvel das NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS. O GRAAL tem estatuto de observador. Participamos num est\u00e1gio, e entre finais de Janeiro e Fevereiro estamos nas reuni\u00f5es da Comiss\u00e3o do Estatuto das Mulheres. D\u00e1 uma ideia do seu funcionamento e do seu trabalho. Foi um per\u00edodo muito intenso. O \u201cWorking Group on girls effect\u201d do qual fa\u00e7o parte, participa tamb\u00e9m em v\u00e1rias outras organiza\u00e7\u00f5es com quem o GRAAL trabalhou durante todos estes anos.<br>A viragem para o mundo das raparigas \u00e9 recente. A nossa organiza\u00e7\u00e3o tenta fazer isso para que as novas venham dar os seus testemunhos, sen\u00e3o ficam distanciadas do resto do movimento de mulheres.<br><br>As expectativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS<br><br>Participar aqui neste momento d\u00e1 muita esperan\u00e7a porque todo o mundo est\u00e1 com foco para as mulheres e a sua realidade. \u00c9 um momento de muita esperan\u00e7a com este envolvimento para alcan\u00e7ar a igualdade. Abre oportunidades estarmos aqui e apresentarmos as nossas preocupa\u00e7\u00f5es enquanto raparigas, diferentes das mulheres. Aqui d\u00e3o-nos voz!<br><br>Mobilidade no meio rural<br><br>Sofia: Vejo um problema importante das raparigas no meio rural \u00e9 o transporte. Temos de andar muito para ir \u00e0 escola ou ter acesso a um servi\u00e7o de sa\u00fade b\u00e1sica. Estamos muito isoladas e isso afecta a nossa vida e perturba o seu curso normal e o sucesso no percurso escolar.<br><br>C\u00e9lia: Vivo numa parte da Madeira, longe da cidade, tenho de apanhar o autocarro, porque estamos longe de tudo, da escola, do supermercado&#8230; Demora quase uma hora e \u00e0s vezes os professores marcam-me falta pelo atraso, porque o autocarro nem sempre chega \u00e0 hora. Os outros que vivem no Funchal n\u00e3o t\u00eam esse problema. Estamos aqui para tentar que haja uma mudan\u00e7a e para que os nossos problemas sejam conhecidos e que sejamos ajudadas. H\u00e1 outro problema em certos cursos, por exemplo o desporto, que \u00e9 a minha \u00e1rea, as raparigas \u00e0s vezes s\u00e3o exclu\u00eddas porque d\u00e3o prioridade aos rapazes.<br><br>Nelly: Mesmo aqui em pa\u00edses mais desenvolvidos h\u00e1 discrimina\u00e7\u00f5es e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para as mulheres. O problema de transporte \u00e9 tamb\u00e9m grave nos meios rurais que est\u00e3o isolados.<br><br>A L\u00eddia conta que num v\u00eddeo no You Tube uma cantora de \u00f3pera e outras pessoas diziam que as mulheres sofriam discrimina\u00e7\u00f5es e que era muito dif\u00edcil para elas tra\u00e7ar a sua carreira. Era muito comovente.<br>Contaram v\u00e1rios eventos que lhes aconteceram de maneira muito intensa. Eram hist\u00f3rias muito tristes, que mostram o que as mulheres t\u00eam de enfrentar, e que s\u00e3o muito corajosas ao faz\u00ea-lo. <br><br>Trabalho desenvolvido em muitos pa\u00edses com raparigas.<br><br>Abida: H\u00e1 10 anos, no \u00e2mbito do GRAAL, comecei a trazer meninas \u00e0s NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS em Nova Iorque para fazer ouvir as suas vozes. Quem pode falar em nome das raparigas \u00e9 s\u00f3 uma rapariga. \u00c9 um trabalho muito colaborativo. Elas criaram uma rede de raparigas vindas de diferentes pa\u00edses. Agora temos 50 raparigas de 17 pa\u00edses que v\u00eam para participar. O objectivo \u00e9 despert\u00e1-las e permitir-lhes adquirir uma experi\u00eancia para transmiti-la depois.<br><br>L\u00eddia: Ser\u00e1 \u00fatil uma bolsa financeira para todas as raparigas a partir de 15 anos, atribu\u00edda pelos governos nacionais ou pela Uni\u00e3o Europeia, \u00e9 para as que est\u00e3o longe terem acesso aos centros urbanos, \u00e0s escolas, \u00e0 universidade e a outros servi\u00e7os necess\u00e1rios para a sua escolariza\u00e7\u00e3o.<br><br>C\u00e9lia: Desde muito nova os meus pais n\u00e3o tomaram conta de mim. Fui criada pela minha av\u00f3. Para citar o exemplo da Madeira onde vivo: s\u00f3 temos uma universidade e tem de se apanhar um autocarro. Durante muitos anos eu n\u00e3o recebi ajuda da Seguran\u00e7a Social e foi uma grande dificuldade para cobrir esta despesa.<br>Colaboro com outras raparigas, temos a sede na Madeira, com o apoio do grupo do GRAAL de Coimbra. Fui \u00e0 Goleg\u00e3 com outras raparigas a um encontro. Temos mantido contactos atrav\u00e9s das redes sociais e trocamos as nossas experi\u00eancias e a nossa viv\u00eancia. <br><br>Ass\u00e9dio sexual e \u201cGrupo Girl Effect\u201d<br><br>Patr\u00edcia: Falamos sobre o sistema de estudo e sobre o ass\u00e9dio. Houve uma campanha sobre a tem\u00e1tica do corpo e a rela\u00e7\u00e3o com o corpo. N\u00e3o temos de ser barbies para sermos aceites pelos rapazes. <br>As barbies n\u00e3o existem, o que h\u00e1 s\u00e3o mulheres concretas. Os homens n\u00e3o se apercebem se calhar de que as barbies n\u00e3o existem. <br><br>L\u00eddia: Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 os rapazes que t\u00eam de mudar de mentalidade, s\u00e3o tamb\u00e9m as raparigas. H\u00e1 raparigas que eu conhe\u00e7o que t\u00eam sido v\u00edtimas de ass\u00e9dio por outras meninas, que querem impor as normas da barbie. As m\u00e3es tamb\u00e9m t\u00eam de intervir e educar sobre a percep\u00e7\u00e3o da imagem da mulher. <br><br>Para evitar o ass\u00e9dio sexual e formar as raparigas foi criado o \u201cGrupo Girl Effect\u201d. Assim uma rapariga decidiu que se tinha de debater este assunto e criar la\u00e7os positivos com outras raparigas discutindo esta tema.<br><br>Pode-se contactar o \u201cGrupo Girl Effect\u201d nas redes sociais: est\u00e1 presente no Facebook do GRAAL de Coimbra e tamb\u00e9m da Madeira. Em 2007, a C\u00e9lia criou o grupo na Madeira, eu juntei-me a elas em 2012. Temos contactos tamb\u00e9m com as outras redes sociais. N\u00e3o h\u00e1 um grupo no Porto. Havia em Lisboa, mas entretanto desapareceu.<br><br>Meios de comunica\u00e7\u00e3o e novas tecnologias<br><br>Patr\u00edcia: Esses meios facilitam o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 para raparigas que fazem engenharia.<br>Sofia, tu vais ser futura jornalista, como v\u00eas essas novas tecnologias sobretudo no teu dom\u00ednio?<br><br>Sofia: As novas tecnologias s\u00e3o importantes para as raparigas porque atrav\u00e9s delas estamos a ter acesso \u00e0s mesmas coisas que os outros. As redes sociais tornaram-se acess\u00edveis a todas as mulheres no meio rural. Permitiram, por exemplo, participar na campanha \u201cMe Too\u201d sobre o ass\u00e9dio sexual. Sem esse meio n\u00e3o poderiam ter participado.<br>Para alterar a imagem da mulher nos media t\u00eam de lhe dar mais voz. Nem os jovens, nem as mulheres est\u00e3o representados. S\u00e3o minorias (que n\u00e3o s\u00e3o) e t\u00eam de dar-lhes voz. Na maioria dos debates sobre pol\u00edtica ou economia s\u00e3o sobretudo homens brancos, seniores. Um ponto importante que tem de ser tratado \u00e9 a predomin\u00e2ncia dos homens brancos.<br><br><br>Nelly: Voc\u00eas t\u00eam de falar outras l\u00ednguas em Nova Iorque, sobretudo o ingl\u00eas. Como est\u00e1 a correr a comunica\u00e7\u00e3o, e qual \u00e9 a reac\u00e7\u00e3o das pessoas quando exp\u00f5em os vossos problemas? Estas novas tecnologias ajudaram-vos com certeza nesta reuni\u00e3o.<br><br>Khensani: A minha l\u00edngua n\u00e3o \u00e9 o ingl\u00eas, e apresentar as nossas preocupa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias numa outra l\u00edngua n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. H\u00e1 sempre uma palavra que falta. Isso representa uma barreira. Mas tamb\u00e9m, nas reuni\u00f5es e nos contactos as pessoas ajudam. \u00c9 uma grande oportunidade de trabalhar com pessoas de muitos outros pa\u00edses. <br>Com as novas tecnologias \u00e9 tudo mais f\u00e1cil, n\u00e3o somos obrigadas a fazer viagens, pode-se se comunicar pela internet. No meio urbano, em Maputo, beneficiamos j\u00e1 destes progressos, mas n\u00e3o no meio rural onde n\u00e3o h\u00e1 electricidade. \u00c9 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o para mim. Vejo que a dist\u00e2ncia est\u00e1 a tornar-se maior entre esses dois meios, porque os progressos tecnol\u00f3gicos s\u00e3o mais r\u00e1pidos, existem mais facilidades de comunica\u00e7\u00e3o que reduzem a dist\u00e2ncia. \u00c9 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o para mim como reduzir esta dist\u00e2ncia que se torna cada vez maior.<br><br>Patr\u00edcia: Ouvimos falar do que falta no meio rural: a \u00e1gua, os transportes, a electricidade, diversas infra-estruturas. A Comiss\u00e3o est\u00e1 a falar destas quest\u00f5es. As mulheres s\u00e3o as \u00faltimas a terem acesso. \u00c9 um grupo que est\u00e1 discriminado. Os rapazes beneficiam de prioridades por tradi\u00e7\u00e3o e preconceito. A Abida, que conhece o trabalho do grupo das Na\u00e7\u00f5es Unidas, e seguiu isso ao longo do ano, pode dizer-nos algo sobre as propostas que fizeram? T\u00eam sido recebidas pela Comiss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas ou ser\u00e1 que esta comiss\u00e3o responde mais ao que os governos dizem e n\u00e3o \u00e0 sociedade civil? <br><br>Khensani: Tem sido uma luta. Temos feito um trabalho de advocacia muito forte, um trabalho de lobbying, para se ter em conta o nosso?*?*? para implementar as ideias que temos. As raparigas s\u00e3o ouvidas, l\u00eaem o documento elaborado por elas com as solu\u00e7\u00f5es para ultrapassarem as discrimina\u00e7\u00f5es. Digo que a luta continua. As meninas t\u00eam que fazer forcing, para que os governos oi\u00e7am as resolu\u00e7\u00f5es, para elas serem implementadas, e para insistirem para que os governos tomem medidas.<br><br><br><br><br>Declara\u00e7\u00e3o das raparigas <br><br>A declara\u00e7\u00e3o das raparigas foi lida ontem na Comiss\u00e3o do Estatuto das Mulheres<br>Como organiza\u00e7\u00e3o o GRAAL s\u00f3 tem o estatuto de observador. N\u00e3o temos a possibilidade de incluir elementos directamente no documento da Comiss\u00e3o, mas podemos fazer propostas, que podem ser tidas em conta. As meninas passaram o dia e a noite a escrever a declara\u00e7\u00e3o.<br><br>Sofia: Fal\u00e1mos sobre as preocupa\u00e7\u00f5es das meninas e o GRAAL quer dar voz \u00e0s raparigas. \u00c9 verdade, pass\u00e1mos muito tempo a escrever a declara\u00e7\u00e3o.<br>Quando falamos dos problemas que enfrentam as raparigas, elas tornam-se mais conscientes. Tamb\u00e9m discutimos com raparigas de outros pa\u00edses. Fal\u00e1mos dos problemas de transporte, de comunica\u00e7\u00e3o, de educa\u00e7\u00e3o e de higiene. Esta \u00faltima quest\u00e3o foi referida por raparigas da \u00c1frica do Sul, que mencionaram, por exemplo, o problema da comunidade delas onde na escola n\u00e3o t\u00eam uma casa de banho apropriada. Quando as raparigas t\u00eam a sua menstrua\u00e7\u00e3o t\u00eam que faltar. A representante do Uganda mencionou que as fam\u00edlias optaram por dar prioridade \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o dos rapazes e que as mulheres ficaram em casa a fazer tarefas dom\u00e9sticas. Ficam bastante prejudicadas <br>O que poderia ser feito para melhorar estas situa\u00e7\u00f5es? Na \u00c1frica do Sul falou-se de melhorar as infra-estruturas nas escolas, com casas de banho apropriadas. Para o Uganda ter\u00e1 de se falar com os pais para as raparigas terem os mesmos direitos e as condi\u00e7\u00f5es de higiene necess\u00e1rias. Por outro lado, para melhorar os transportes ser\u00e1 preciso criar mais estradas.<br><br>Perspectivas futuras<br><br>Sofia: Eu quando voltar para Portugal vou partilhar a minha experi\u00eancia com o \u201cGrupo Girl Effect\u201d, com os meus amigos, com a minha fam\u00edlia e tentar implementar as resolu\u00e7\u00f5es no meu grupo. <br>Tamb\u00e9m na escola penso sensibilizar os homens para este tipo de problem\u00e1tica, por exemplo, com um workshop de cozinha s\u00f3 para homens para perceberem que cozinhar n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 trabalho de mulher.<br>Uma vez que estou a acabar os meus estudos em Coimbra, penso regressar ao Porto.<br><br><br>Abida: Estamos a preparar um projecto para jovens raparigas, a iniciar este ano em Mo\u00e7ambique. \u00c9 um programa de lideran\u00e7a destinado a mulheres jovens de v\u00e1rios pa\u00edses, de meios urbanos e rurais. Vai decorrer em Maputo em Junho deste ano. As raparigas v\u00e3o partilhar o que tem feito nas suas comunidades. V\u00e3o falar dos problemas que t\u00eam nos seus pa\u00edses e apreender novas t\u00e9cnicas, novas formas de fazer as coisas, respeitando a agenda do desenvolvimento sustent\u00e1vel que todos os pa\u00edses est\u00e3o convidados a respeitar. N\u00f3s queremos fazer parte deste processo.<br><br>Khensani: No pr\u00f3ximo ano, na Comiss\u00e3o das Mulheres das Na\u00e7\u00f5es Unidas v\u00e3o ser debatidos a protec\u00e7\u00e3o social, as infra-estruturas e o acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos sustent\u00e1veis para mulheres e raparigas. Vem mesmo a calhar porque \u00e9 uma das principais recomenda\u00e7\u00f5es resultante desta sess\u00e3o, que era de desenvolver as infra-estruturas. A sua falta \u00e9 uma das principais barreiras, que prejudica as mulheres no meio rural. Isso vem complementar o trabalho feito este ano. <br><br>Rela\u00e7\u00f5es com a administra\u00e7\u00e3o e financiamento dos grupos<br><br>Quest\u00e3o: Quais s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es com as administra\u00e7\u00f5es do Estado ou com outras organiza\u00e7\u00f5es que v\u00e3o concretizar as resolu\u00e7\u00f5es? Haver\u00e1 possibilidade de ajuda financeira?<br><br>Abida: Em Coimbra, a nossa principal fonte de rendimento do grupo \u201cGirl Effect\u201d \u00e9 a venda de pulseiras e outras coisas que podemos fazer. Quando foi da \u00faltima sess\u00e3o das NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS tiraram-se muitas fotografias. Fizemos uma exposi\u00e7\u00e3o e vendemos as fotografias.<br><br>A maior parte dos grupos de raparigas s\u00e3o auto-suficientes. Os custos s\u00e3o cobertos pelas contribui\u00e7\u00f5es dos membros, n\u00e3o em termos de valor monet\u00e1rio, mas em termos de material e de trabalho. <br>A parceria com a administra\u00e7\u00e3o tem sido decepcionante para n\u00f3s. Na maior parte dos casos, os acordos ratificados n\u00e3o s\u00e3o cumpridos. Os documentos s\u00e3o assinados, mas n\u00e3o tem efeito na nossa realidade. \u00c9 importante passar a mensagem e fazer mais press\u00e3o para a implementa\u00e7\u00e3o.<br><br>Temos tido uma partilha de experi\u00eancias com v\u00e1rios representantes de outros pa\u00edses; s\u00e3o oportunidades boas para fazer contactos. Assim ficamos inspiradas para solu\u00e7\u00f5es em Portugal. <br><br>L\u00eddia: Ficam com um registo v\u00eddeo do vosso trabalho para mostrar \u00e0 Teresa Fragoso da Comiss\u00e3o da Cidadania e da Igualdade em Portugal. <br><br>As raparigas respondem que t\u00eam fotos e v\u00eddeos dispon\u00edveis.<br><br>N\u00e3o somos s\u00f3 o futuro, as nossas dificuldades t\u00eam de ser olhadas e resolvidas, para termos mais condi\u00e7\u00f5es de melhorar as nossas situa\u00e7\u00f5es, enquanto mulheres, e para evitar afrontar dificuldades no futuro. <br><br>Se n\u00f3s n\u00e3o lutamos, ningu\u00e9m luta por n\u00f3s.<br><br> A Sofia conta: Num painel um homem perguntou como \u00e9 que os homens t\u00eam de tratar as mulheres. Eu respondi que somos seres humanos, n\u00e3o somos duma outra esp\u00e9cie, nem extraterrestres, e gostamos de ser tratadas como ele quer ser tratado.<br><br>Tem de se promover a possibilidade de os jovens conseguirem ter voz, e que possam intervir tamb\u00e9m a n\u00edvel da representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. <br>Tem de se ajudar tamb\u00e9m a n\u00e3o descredibilizar os nossos pontos de vista por sermos jovens.<br><br><br>Qual \u00e9 a vossa rela\u00e7\u00e3o com a Plataforma das Mulheres Portuguesas (PPDM)?<br><br>A Plataforma das Mulheres est\u00e1 presente em NY e faz a coordena\u00e7\u00e3o com as organiza\u00e7\u00f5es portuguesas. Elas t\u00eam bastantes meios de press\u00e3o junto \u00e0s autoridades portuguesas. Tem uma rede de jovens e podem conseguir coisas concretas. O GRAAL faz parte dessa Plataforma e encontra-se regularmente com os seus representantes.<br><br>L\u00eddia: Agradecimentos \u00e0 Patr\u00edcia e \u00e0s raparigas por terem proporcionado este encontro.<br>Os testemunhos v\u00e3o dar coragem para outros falarem.<br>Agradecemos tamb\u00e9m aos \u201cGrupos Girl Effect \u201d. <br>Os workshops para rapazes s\u00e3o importantes e n\u00e3o s\u00f3 para raparigas. <br>Esperamos que as jovens consigam ser aut\u00f3nomas e sempre abertas. <br><br>Notas<br>O GRAAL \u00e9 um movimento de inspira\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, uma comunidade internacional de mulheres vindas de todos os continentes, etnias e culturas, de todas as idades e situa\u00e7\u00f5es de vida, que juntas procuram o sentido mais profundo de se estar neste mundo. Nessa diversidade as participantes do GRAAL procuram nas suas iniciativas e ac\u00e7\u00f5es promover a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na vida social e c\u00edvica, convictas de que poder\u00e3o contribuir decisivamente para que mulheres e homens possam usufruir de uma vida com sentido e qualidade (http:\/\/www.GRAAL.org.pt\/).<br> 1-A emiss\u00e3o foi transmitida na r\u00e1dio Alma a partir de Nova York, com a coordena\u00e7\u00e3o da Patr\u00edcia que tinha \u00e0 volta dela as tr\u00eas raparigas. A Nelly estava a entrevistar de Bruxelas, e a L\u00eddia na t\u00e9cnica, a intervir tamb\u00e9m com perguntas.<br> 2- Juliette Villez: Les agricultrices en Europe et en Belgique, Juliette Villez,  Entr\u2019aide et Fraternit\u00e9, d\u00e9cembre 2015<br>https:\/\/www.entraide.be\/IMG\/pdf\/les_agricultrices_en_europe_et_en_belgique_-_version_web.pdf<br><br>Les femmes agricultrices, v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es da DG AGRI, CEE, anos 1995 e seguintes.<br><br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/files\/2022\/06\/11292562005_c5897898eb_b-1.jpgONU-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3492\" srcset=\"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/files\/2022\/06\/11292562005_c5897898eb_b-1.jpgONU-1.jpg 1024w, https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/files\/2022\/06\/11292562005_c5897898eb_b-1.jpgONU-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/files\/2022\/06\/11292562005_c5897898eb_b-1.jpgONU-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/files\/2022\/06\/11292562005_c5897898eb_b-1.jpgONU-1-465x310.jpg 465w, https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/files\/2022\/06\/11292562005_c5897898eb_b-1.jpgONU-1-695x464.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/files\/2022\/06\/42175816531_0281bffa7e_b.jpgmnasNU.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3493\" width=\"-347\" height=\"-231\" srcset=\"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/files\/2022\/06\/42175816531_0281bffa7e_b.jpgmnasNU.jpg 1024w, https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/files\/2022\/06\/42175816531_0281bffa7e_b.jpgmnasNU-300x200.jpg 300w, https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/files\/2022\/06\/42175816531_0281bffa7e_b.jpgmnasNU-768x512.jpg 768w, https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/files\/2022\/06\/42175816531_0281bffa7e_b.jpgmnasNU-465x310.jpg 465w, https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/files\/2022\/06\/42175816531_0281bffa7e_b.jpgmnasNU-695x464.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Reclamar a sua terra<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o do Estatuto das Mulheres das NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS (Na\u00e7\u00f5es Unidas) re\u00fane-se de dois em dois anos. Este ano (2018) foram duas semanas no m\u00eas de Mar\u00e7o. As quatro raparigas que s\u00e3o entrevistadas participam nesta reuni\u00e3o em Nova Iorque e fazem parte dum grupo organizado pelo GRAAL . Foi decidido para a entrevista escolher raparigas novas.<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/2022\/06\/09\/capitulo-11-mulheres-lusofonas-na-organizacao-na-comissao-do-estatuto-das-mulheres-das-nacoes-unidas\/\">Lire la suite<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":110,"featured_media":3490,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["entry","author-mulheres","has-excerpt","post-3476","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mci"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/users\/110"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3476\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3490"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radioalma.eu\/mulheres\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}