Capítulo 11: Mulheres lusófonas na Organização na Comissão do Estatuto das Mulheres das Nações Unidas

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A Comissão do Estatuto das Mulheres das NAÇÕES UNIDAS (Nações Unidas) reúne-se de dois em dois anos. Este ano (2018) foram duas semanas no mês de Março. As quatro raparigas que são entrevistadas participam nesta reunião em Nova Iorque e fazem parte dum grupo organizado pelo GRAAL . Foi decidido para a entrevista escolher raparigas novas.
Nesta sessão da Comissão estão a ser debatidas as questões das meninas, raparigas e mulheres, em especial, nas zonas rurais, o seu acesso às novas tecnologias e à educação .

O tema abordado na entrevista tem a ver com preocupações de jovens mulheres lusófonas. Uma palavra para começar sobre a situação no meio rural.


Problemáticas do meio rural

-Cerca de 20% de mulheres dirigem as explorações agrícolas na União Europeia. Progressivamente os homens desinteressam-se da agricultura e procuram outro trabalho. Quando o encontram deixam a exploração a uma mulher, pode- se tratar da esposa, da irmã ou da filha .

-O rendimento exterior ajuda as explorações a sobreviverem porque constitui um complemento importante ao rendimento da exploração. O rendimento agrícola é em geral insuficiente quando se trata de explorações familiares;

-A baixa geral dos preços dos produtos agrícolas é imposta pela indústria e pelas cadeias dos supermercados que querem obter os preços mais baixos do mercado, pondo em concorrência os vários países europeus entre eles e também os países europeus com países fora da Europa;

-Uma outra questão importante é o estatuto das mulheres agricultoras. O responsável da exploração, quer seja homem ou mulher, é reconhecido, tem um estatuto próprio de chefe da exploração. A mulher ou a filha que trabalha com ele não tem um estatuto claramente reconhecido, até a data da aprovação pela UE (União Europeia) do estatuto de ajudante ou cônjuge ajudante “conjoint aidant”. Mas ainda têm outros problemas, porque algumas mulheres não se inscrevem na Segurança Social, nem estão declaradas.

– Cerca de 35% da mão-de-obra assalariada nas explorações agrícolas na União Europeia são mulheres. São elas que asseguram grande parte da alimentação através do seu trabalho.

– As mulheres estão bastante isoladas, sobretudo quando os filhos crescem e ficam a trabalhar muitas vezes fora das zonas onde os pais vivem. O casal envelhece sem ter os filhos perto deles.

-Infra-estruturas: A sua falta é um problema idêntico em todas as zonas rurais. Nos países mais desenvolvidos vê-se o desaparecimento dos serviços e comércios: lojas, cafés, bancos, comércios
Nos países em vias de desenvolvimento nem sequer há.
Também as escolas desaparecem. Quando não têm um número suficiente de alunos, são fechadas, mesmo para turmas de crianças pequenas.
No entanto, há alguns aspectos positivos: o desenvolvimento de novas actividades como o turismo que está a ter uma grande importância em certos meios rurais. A essa actividade se junta o artesanato, o fabrico de novos produtos regionais com características específicas, algumas delas com certificação de origem, e outras actividades.
Pode-se dizer que há um renascimento de certas zonas rurais, mas o seu número é limitado. Grande parte delas estão em declínio e despovoamento.


Apresentação das jovens raparigas do movimento nacional do GRAAL:
A Sofia vem de Portugal, é natural do Porto, vive e estuda jornalismo em Coimbra. Faz parte do grupo do GRAAL nessa cidade.

A Célia, com 17 anos, é da Madeira e faz parte do grupo Girl Effect (Efeito Rapariga) ligado ao GRAAL.

A Khensani, com 19 anos, é Moçambicana, vive em Maputo onde estuda Ciências da Informática. Faz parte da equipa de preparação dos eventos deste ano junto da Comissão para o Estatuto das Mulheres das NAÇÕES UNIDAS, onde se estão a discutir muitos temas, desde a violência contra meninas e mulheres, ao acesso à educação, à conscientização relativamente a práticas tradicionais, que atentam contra a vida das meninas, como a mutilação genital feminina, o casamento de menores e outras discriminações relativas à posse de terra, ao acesso ao trabalho, à informação e a informática.

Ábida Jamal, 45 anos, organiza muitos programas com jovens raparigas em Moçambique. O trabalho da Ábida em Nova Iorque, onde representa esta organização, já vem de longe. Há mais de dez anos que ela participa, acompanha e organiza a preparação de meninas de todo o mundo para virem trazer a sua voz e as suas histórias a estas reuniões anuais das Nações Unidas sobre as mulheres e para a igualdade de género.

É importante saber das suas realidades, dos testemunhos delas e de outras raparigas com quem estão, e dos contactos que têm com raparigas doutros países, que elas conheceram nas reuniões nas NAÇÕES UNIDAS.
Quais são os seus sonhos e as suas esperanças para o futuro?


Patrícia: Célia, podes dar-nos uma ideia de quem tu és e as tuas razões para participares nesta reunião nas Nações Unidas?

Passei por muitos acontecimentos. Continuo a trabalhar para os nossos objectivos porque vale a pena, porque estou a pensar que a situação vai melhorar. Acredito que nós jovens raparigas somos o futuro e temos de nos questionar sobre os problemas, e temos de encontrar soluções.
É importante aprender com as outras raparigas e depois aplicar as resoluções tomadas em conjunto quando voltarmos para casa.


Patrícia: Khensani, conta-nos a tua experiência – não só nesta reunião, mas também no estágio de preparação deste grupo de raparigas que participam na sessão em Nova Iorque – como te envolveste nesta aventura? E depois diz-nos aquilo que vês como mais importante para o futuro e a melhoria das condições das raparigas de todo o mundo.

Célia e Sofia, como é que sentem que podem representar meninas e raparigas rurais? Em Portugal, quais são os problemas mais urgentes a resolver para o acesso às mesmas oportunidades que os rapazes? Vocês acham que há grandes diferenças entre os problemas que enfrentam as meninas rurais e as meninas das cidades?


Khensani:
Há 3 meses que estou cá em Nova Iorque para aprender. Tem sido uma experiência muito intensa tanto no envolvimento no GRAAL, como a nível das NAÇÕES UNIDAS. O GRAAL tem estatuto de observador. Participamos num estágio, e entre finais de Janeiro e Fevereiro estamos nas reuniões da Comissão do Estatuto das Mulheres. Dá uma ideia do seu funcionamento e do seu trabalho. Foi um período muito intenso. O “Working Group on girls effect” do qual faço parte, participa também em várias outras organizações com quem o GRAAL trabalhou durante todos estes anos.
A viragem para o mundo das raparigas é recente. A nossa organização tenta fazer isso para que as novas venham dar os seus testemunhos, senão ficam distanciadas do resto do movimento de mulheres.

As expectativas em relação às NAÇÕES UNIDAS

Participar aqui neste momento dá muita esperança porque todo o mundo está com foco para as mulheres e a sua realidade. É um momento de muita esperança com este envolvimento para alcançar a igualdade. Abre oportunidades estarmos aqui e apresentarmos as nossas preocupações enquanto raparigas, diferentes das mulheres. Aqui dão-nos voz!

Mobilidade no meio rural

Sofia: Vejo um problema importante das raparigas no meio rural é o transporte. Temos de andar muito para ir à escola ou ter acesso a um serviço de saúde básica. Estamos muito isoladas e isso afecta a nossa vida e perturba o seu curso normal e o sucesso no percurso escolar.

Célia: Vivo numa parte da Madeira, longe da cidade, tenho de apanhar o autocarro, porque estamos longe de tudo, da escola, do supermercado… Demora quase uma hora e às vezes os professores marcam-me falta pelo atraso, porque o autocarro nem sempre chega à hora. Os outros que vivem no Funchal não têm esse problema. Estamos aqui para tentar que haja uma mudança e para que os nossos problemas sejam conhecidos e que sejamos ajudadas. Há outro problema em certos cursos, por exemplo o desporto, que é a minha área, as raparigas às vezes são excluídas porque dão prioridade aos rapazes.

Nelly: Mesmo aqui em países mais desenvolvidos há discriminações e não é fácil para as mulheres. O problema de transporte é também grave nos meios rurais que estão isolados.

A Lídia conta que num vídeo no You Tube uma cantora de ópera e outras pessoas diziam que as mulheres sofriam discriminações e que era muito difícil para elas traçar a sua carreira. Era muito comovente.
Contaram vários eventos que lhes aconteceram de maneira muito intensa. Eram histórias muito tristes, que mostram o que as mulheres têm de enfrentar, e que são muito corajosas ao fazê-lo.

Trabalho desenvolvido em muitos países com raparigas.

Abida: Há 10 anos, no âmbito do GRAAL, comecei a trazer meninas às NAÇÕES UNIDAS em Nova Iorque para fazer ouvir as suas vozes. Quem pode falar em nome das raparigas é só uma rapariga. É um trabalho muito colaborativo. Elas criaram uma rede de raparigas vindas de diferentes países. Agora temos 50 raparigas de 17 países que vêm para participar. O objectivo é despertá-las e permitir-lhes adquirir uma experiência para transmiti-la depois.

Lídia: Será útil uma bolsa financeira para todas as raparigas a partir de 15 anos, atribuída pelos governos nacionais ou pela União Europeia, é para as que estão longe terem acesso aos centros urbanos, às escolas, à universidade e a outros serviços necessários para a sua escolarização.

Célia: Desde muito nova os meus pais não tomaram conta de mim. Fui criada pela minha avó. Para citar o exemplo da Madeira onde vivo: só temos uma universidade e tem de se apanhar um autocarro. Durante muitos anos eu não recebi ajuda da Segurança Social e foi uma grande dificuldade para cobrir esta despesa.
Colaboro com outras raparigas, temos a sede na Madeira, com o apoio do grupo do GRAAL de Coimbra. Fui à Golegã com outras raparigas a um encontro. Temos mantido contactos através das redes sociais e trocamos as nossas experiências e a nossa vivência.

Assédio sexual e “Grupo Girl Effect”

Patrícia: Falamos sobre o sistema de estudo e sobre o assédio. Houve uma campanha sobre a temática do corpo e a relação com o corpo. Não temos de ser barbies para sermos aceites pelos rapazes.
As barbies não existem, o que há são mulheres concretas. Os homens não se apercebem se calhar de que as barbies não existem.

Lídia: Mas não é só os rapazes que têm de mudar de mentalidade, são também as raparigas. Há raparigas que eu conheço que têm sido vítimas de assédio por outras meninas, que querem impor as normas da barbie. As mães também têm de intervir e educar sobre a percepção da imagem da mulher.

Para evitar o assédio sexual e formar as raparigas foi criado o “Grupo Girl Effect”. Assim uma rapariga decidiu que se tinha de debater este assunto e criar laços positivos com outras raparigas discutindo esta tema.

Pode-se contactar o “Grupo Girl Effect” nas redes sociais: está presente no Facebook do GRAAL de Coimbra e também da Madeira. Em 2007, a Célia criou o grupo na Madeira, eu juntei-me a elas em 2012. Temos contactos também com as outras redes sociais. Não há um grupo no Porto. Havia em Lisboa, mas entretanto desapareceu.

Meios de comunicação e novas tecnologias

Patrícia: Esses meios facilitam o acesso à educação, não são só para raparigas que fazem engenharia.
Sofia, tu vais ser futura jornalista, como vês essas novas tecnologias sobretudo no teu domínio?

Sofia: As novas tecnologias são importantes para as raparigas porque através delas estamos a ter acesso às mesmas coisas que os outros. As redes sociais tornaram-se acessíveis a todas as mulheres no meio rural. Permitiram, por exemplo, participar na campanha “Me Too” sobre o assédio sexual. Sem esse meio não poderiam ter participado.
Para alterar a imagem da mulher nos media têm de lhe dar mais voz. Nem os jovens, nem as mulheres estão representados. São minorias (que não são) e têm de dar-lhes voz. Na maioria dos debates sobre política ou economia são sobretudo homens brancos, seniores. Um ponto importante que tem de ser tratado é a predominância dos homens brancos.


Nelly: Vocês têm de falar outras línguas em Nova Iorque, sobretudo o inglês. Como está a correr a comunicação, e qual é a reacção das pessoas quando expõem os vossos problemas? Estas novas tecnologias ajudaram-vos com certeza nesta reunião.

Khensani: A minha língua não é o inglês, e apresentar as nossas preocupações e experiências numa outra língua não é fácil. Há sempre uma palavra que falta. Isso representa uma barreira. Mas também, nas reuniões e nos contactos as pessoas ajudam. É uma grande oportunidade de trabalhar com pessoas de muitos outros países.
Com as novas tecnologias é tudo mais fácil, não somos obrigadas a fazer viagens, pode-se se comunicar pela internet. No meio urbano, em Maputo, beneficiamos já destes progressos, mas não no meio rural onde não há electricidade. É uma grande preocupação para mim. Vejo que a distância está a tornar-se maior entre esses dois meios, porque os progressos tecnológicos são mais rápidos, existem mais facilidades de comunicação que reduzem a distância. É uma grande preocupação para mim como reduzir esta distância que se torna cada vez maior.

Patrícia: Ouvimos falar do que falta no meio rural: a água, os transportes, a electricidade, diversas infra-estruturas. A Comissão está a falar destas questões. As mulheres são as últimas a terem acesso. É um grupo que está discriminado. Os rapazes beneficiam de prioridades por tradição e preconceito. A Abida, que conhece o trabalho do grupo das Nações Unidas, e seguiu isso ao longo do ano, pode dizer-nos algo sobre as propostas que fizeram? Têm sido recebidas pela Comissão das Nações Unidas ou será que esta comissão responde mais ao que os governos dizem e não à sociedade civil?

Khensani: Tem sido uma luta. Temos feito um trabalho de advocacia muito forte, um trabalho de lobbying, para se ter em conta o nosso?*?*? para implementar as ideias que temos. As raparigas são ouvidas, lêem o documento elaborado por elas com as soluções para ultrapassarem as discriminações. Digo que a luta continua. As meninas têm que fazer forcing, para que os governos oiçam as resoluções, para elas serem implementadas, e para insistirem para que os governos tomem medidas.




Declaração das raparigas

A declaração das raparigas foi lida ontem na Comissão do Estatuto das Mulheres
Como organização o GRAAL só tem o estatuto de observador. Não temos a possibilidade de incluir elementos directamente no documento da Comissão, mas podemos fazer propostas, que podem ser tidas em conta. As meninas passaram o dia e a noite a escrever a declaração.

Sofia: Falámos sobre as preocupações das meninas e o GRAAL quer dar voz às raparigas. É verdade, passámos muito tempo a escrever a declaração.
Quando falamos dos problemas que enfrentam as raparigas, elas tornam-se mais conscientes. Também discutimos com raparigas de outros países. Falámos dos problemas de transporte, de comunicação, de educação e de higiene. Esta última questão foi referida por raparigas da África do Sul, que mencionaram, por exemplo, o problema da comunidade delas onde na escola não têm uma casa de banho apropriada. Quando as raparigas têm a sua menstruação têm que faltar. A representante do Uganda mencionou que as famílias optaram por dar prioridade à escolarização dos rapazes e que as mulheres ficaram em casa a fazer tarefas domésticas. Ficam bastante prejudicadas
O que poderia ser feito para melhorar estas situações? Na África do Sul falou-se de melhorar as infra-estruturas nas escolas, com casas de banho apropriadas. Para o Uganda terá de se falar com os pais para as raparigas terem os mesmos direitos e as condições de higiene necessárias. Por outro lado, para melhorar os transportes será preciso criar mais estradas.

Perspectivas futuras

Sofia: Eu quando voltar para Portugal vou partilhar a minha experiência com o “Grupo Girl Effect”, com os meus amigos, com a minha família e tentar implementar as resoluções no meu grupo.
Também na escola penso sensibilizar os homens para este tipo de problemática, por exemplo, com um workshop de cozinha só para homens para perceberem que cozinhar não é só trabalho de mulher.
Uma vez que estou a acabar os meus estudos em Coimbra, penso regressar ao Porto.


Abida: Estamos a preparar um projecto para jovens raparigas, a iniciar este ano em Moçambique. É um programa de liderança destinado a mulheres jovens de vários países, de meios urbanos e rurais. Vai decorrer em Maputo em Junho deste ano. As raparigas vão partilhar o que tem feito nas suas comunidades. Vão falar dos problemas que têm nos seus países e apreender novas técnicas, novas formas de fazer as coisas, respeitando a agenda do desenvolvimento sustentável que todos os países estão convidados a respeitar. Nós queremos fazer parte deste processo.

Khensani: No próximo ano, na Comissão das Mulheres das Nações Unidas vão ser debatidos a protecção social, as infra-estruturas e o acesso a serviços públicos sustentáveis para mulheres e raparigas. Vem mesmo a calhar porque é uma das principais recomendações resultante desta sessão, que era de desenvolver as infra-estruturas. A sua falta é uma das principais barreiras, que prejudica as mulheres no meio rural. Isso vem complementar o trabalho feito este ano.

Relações com a administração e financiamento dos grupos

Questão: Quais são as relações com as administrações do Estado ou com outras organizações que vão concretizar as resoluções? Haverá possibilidade de ajuda financeira?

Abida: Em Coimbra, a nossa principal fonte de rendimento do grupo “Girl Effect” é a venda de pulseiras e outras coisas que podemos fazer. Quando foi da última sessão das NAÇÕES UNIDAS tiraram-se muitas fotografias. Fizemos uma exposição e vendemos as fotografias.

A maior parte dos grupos de raparigas são auto-suficientes. Os custos são cobertos pelas contribuições dos membros, não em termos de valor monetário, mas em termos de material e de trabalho.
A parceria com a administração tem sido decepcionante para nós. Na maior parte dos casos, os acordos ratificados não são cumpridos. Os documentos são assinados, mas não tem efeito na nossa realidade. É importante passar a mensagem e fazer mais pressão para a implementação.

Temos tido uma partilha de experiências com vários representantes de outros países; são oportunidades boas para fazer contactos. Assim ficamos inspiradas para soluções em Portugal.

Lídia: Ficam com um registo vídeo do vosso trabalho para mostrar à Teresa Fragoso da Comissão da Cidadania e da Igualdade em Portugal.

As raparigas respondem que têm fotos e vídeos disponíveis.

Não somos só o futuro, as nossas dificuldades têm de ser olhadas e resolvidas, para termos mais condições de melhorar as nossas situações, enquanto mulheres, e para evitar afrontar dificuldades no futuro.

Se nós não lutamos, ninguém luta por nós.

A Sofia conta: Num painel um homem perguntou como é que os homens têm de tratar as mulheres. Eu respondi que somos seres humanos, não somos duma outra espécie, nem extraterrestres, e gostamos de ser tratadas como ele quer ser tratado.

Tem de se promover a possibilidade de os jovens conseguirem ter voz, e que possam intervir também a nível da representação política.
Tem de se ajudar também a não descredibilizar os nossos pontos de vista por sermos jovens.


Qual é a vossa relação com a Plataforma das Mulheres Portuguesas (PPDM)?

A Plataforma das Mulheres está presente em NY e faz a coordenação com as organizações portuguesas. Elas têm bastantes meios de pressão junto às autoridades portuguesas. Tem uma rede de jovens e podem conseguir coisas concretas. O GRAAL faz parte dessa Plataforma e encontra-se regularmente com os seus representantes.

Lídia: Agradecimentos à Patrícia e às raparigas por terem proporcionado este encontro.
Os testemunhos vão dar coragem para outros falarem.
Agradecemos também aos “Grupos Girl Effect ”.
Os workshops para rapazes são importantes e não só para raparigas.
Esperamos que as jovens consigam ser autónomas e sempre abertas.

Notas
O GRAAL é um movimento de inspiração Cristã, uma comunidade internacional de mulheres vindas de todos os continentes, etnias e culturas, de todas as idades e situações de vida, que juntas procuram o sentido mais profundo de se estar neste mundo. Nessa diversidade as participantes do GRAAL procuram nas suas iniciativas e acções promover a participação das mulheres na vida social e cívica, convictas de que poderão contribuir decisivamente para que mulheres e homens possam usufruir de uma vida com sentido e qualidade (http://www.GRAAL.org.pt/).
1-A emissão foi transmitida na rádio Alma a partir de Nova York, com a coordenação da Patrícia que tinha à volta dela as três raparigas. A Nelly estava a entrevistar de Bruxelas, e a Lídia na técnica, a intervir também com perguntas.
2- Juliette Villez: Les agricultrices en Europe et en Belgique, Juliette Villez, Entr’aide et Fraternité, décembre 2015
https://www.entraide.be/IMG/pdf/les_agricultrices_en_europe_et_en_belgique_-_version_web.pdf

Les femmes agricultrices, várias publicações da DG AGRI, CEE, anos 1995 e seguintes.

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